Meus Sermões

O VERDADEIRO AMOR
1 Coríntios 13.4-7

 

Introdução

Você viu aí o anúncio do Jantar Romântico que vai acontecer no próximo sábado? É para namorados casados e para namorados solteiros também.

O mês de junho se convencionou chamar “Mês dos Namorados”...

 

E o apelo comercial desta ocasião é muito forte... os produtos mais procurados para presentes, são: confecções, calçados, jóias, eletroeletrônicos... flores. Mas, o produto principal, meus irmãos, não é vendido no comércio, mas é adquirido em Deus e eu me refiro ao verdadeiro amor.

 

Sabemos que pronunciar a palavra amor é muito fácil, mas colocá-lo em prática, com atitudes em nossas vidas, isso é difícil, porque exige esforço.

Os gregos antigos compreendiam tão bem essa dificuldade, que eles tinham quatro palavras diferentes para amor.

 

Na língua portuguesa temos apenas uma palavra para amor (e a palavra é amor mesmo), e que é usada para descrever todas as nossas preferências.

 

A língua portuguesa é como um sorvete napolitano: todos os sabores estão na mesma massa, na mesma palavra.

Falamos que amamos futebol, amamos pão de queijo, amamos a música...

 

Você passa em frente a uma vitrine e pode dizer: “Amei essa calça jeans!”... ou, na estrada, passa por você aquele carro e você diz: “amei!”  E quase sempre precisamos cair na real e nos contentar com o que temos... é como escreveram num pára-choque de caminhão: “Não tenho tudo que amo, mas amo tudo que tenho”.

 

E assim vamos usando a palavra amor: amamos morangos… dinheiro… amamos a mãe… e, num piscar de olhos, usamos a mesma palavra para dizer que amamos a Deus, os irmãos…  

 

Luiz de Camões, considerado o maior poeta de língua portuguesa, definiu “amor” como “fogo que arde sem se ver; ...ferida que dói e não se sente; ...dor que desatina sem doer”. O que é isto que chamamos de amor?

Uma moça acabou de chegar a casa depois de um encontro com um rapaz, e voltou assim com os olhinhos radiantes [como a Tânia no primeiro dia que me viu... que modéstia!], e num suspiro a moça falou: “Estou apaixonada...”. A mãe ouviu e disse logo: “Que isso minha filha, você só tem quinze anos. Nem sabe o que é amor”. E será que nós sabemos o que é o amor?

A língua grega, na qual o Novo Testamento foi escrito, é uma língua mais precisa, mais exata, do que a nossa.

E os gregos tinham e, na verdade têm, quatro palavras para esta mesma coisa que chamamos de amor.

 

A primeira palavra grega para amor é EROS e talvez, este seja o tipo de amor mais conhecido hoje em dia e também o mais deturpado.

 

Eros é o amor humano, amor carnal... é um sentimento voltado para o sexo, daí a palavra ERÓTICO, erotismo.

 

E esse tipo de amor, pode até incluir algum sentimento verdadeiro, mas basicamente, é uma atração física mesmo... é amor baseado na atração sexual...  

 

E nesse tipo de amor, tem um problema: nele reside o egoísmo, aquele sentimento de posse: “Quero isto para mim. Quero você para mim. Eu não me preocupo com você; eu só quero é você pra mim”.

 

Esse amor é tipo bolo de morango: queremos tanto, mais tanto, que se conseguirmos, vamos consumi-lo inteiro sem ao menos pensar em como o bolo se sente.

 

O segundo tipo de amor conhecido é o “STORGE”, me desculpa os gregos aí pela pronúncia, eu estou até abrasileirando a coisa.

Esse segundo tipo de amor é o amor dos laços familiares, é o amor de família...  de pais para com os filhos, dos filhos para com os pais, dos parentes entre si.

 

Esse tipo de amor até pode ser chamado de Amor da Tia Maria.... amamos tia Maria e procuramos agradá-la, não com base na atração física dela (aí seria Eros), mas porque ela é a nossa tia Maria. Ela pode ficar velha, surda, meio-cega, mais ainda é a nossa tia Maria! Tem um vínculo familiar entre nós.

 

Mas, o problema desse amor, entretanto, é que ele é frágil, ele se quebra. Tem acontecido com algumas famílias, passar por uma dificuldade, e esse amor acaba... quantos filhos que não procuram ver os pais? ...quantos parentes que se tornaram inimigos dos seus próprios parentes!

 

No Novo Testamento lemos sobre a falta desse amor.

Em Rm 1.31 o apóstolo Paulo fala de pessoas que são, diz ele, “sem afeição natural”, pessoas que “não têm amor por ninguém”.

 

E na segunda carta a Timóteo (3.3), Paulo, falando que nos últimos dias haverão tempos difíceis, ele fala que algumas pessoas se tornarão desafeiçoadas, isto é, sem STORGE... “sem amor a família”.

Quer dizer, na falta do amor de família, coisas tristes, muito tristes mesmo, acontecem: filhos indesejados são rejeitados, são deixados para avós ou estranhos criarem... por falta desse amor, pais são desonrados, idosos abandonados em asilos... por falta desse amor é que também pratica-se o aborto!

 

A terceira palavra grega para amor é FILIA, a mais usada pelos gregos e é a que mais se aproxima do sentido que fazemos da palavra amor hoje em dia.

FILIA é o amor da amizade, amor de amigos... se eu gosto de você e você gosta de mim, então temos FILIA um pelo outro, o amor da amizade.

 

Já ouvi falar em filantropia? Significa “amor pela humanidade”. Filosofia? ...filo (vem de filia, amor)  + Sofia (sabedoria): amor pela sabedoria ou amigo da sabedoria.

 

Na Bíblia, um dos maiores exemplos desse tipo de amor de amigo é Davi e Jonatas no Velho Testamento... e no Novo Testamento, lemos muito de amor entre os irmãos, amor fraternal.

 

Porém, existe um “toma lá, dá cá” nesse amor, porque ele exige retorno... quer dizer, enquanto alguém nos serve, nós amamos; parou de nos interessar, o amor acaba...

Esse tipo de amor pode ser chamado de “Amor Time de Futebol”.

 

Digamos que você é um bom jogador(a) de futebol, e eu sou um bom jogador de futebol (quem me conhece sabe que minha posição preferida é ali na linha lateral, do campo pra fora)... então, a título de ilustração, nós dois somos ótimos jogadores. Gostamos de estar no mesmo time. Mas você começa chutar a bola pra fora todas as vezes e não passa a bola pros colegas de jeito nenhum. Resultado: você é tirado do time.

 

Então, por mais afeto que se tenha, por mais caloroso que seja o amor FILIA, ele tem as suas deficiências.

Ele não resiste às bolas perdidas, não resiste ao arroz queimado, à falta de dinheiro, à doença... ele acaba!

 

Mas mesmo assim, Deus dá muita importância ao amor FILIA.

Em Gn 2.18, Deus afirmou: “Não é bom que o homem esteja só”. Precisamos de amigos... precisamos de pessoas a quem nos afeiçoar e que se afeiçoem por nós.

 

Até Jesus precisou de uma célula, de pessoas mais próximas dEle.  

 

E tem a quarta palavra grega para amor, que eu deixei por último aqui, propositalmente, pra você conhecer.

É a palavra AGAPE, que não era muito comum e nem de muito significado... os especialistas até concordam que se tratava de um cumprimento afetuoso, tipo a palavra “prezado”... numa carta, num discurso a gente diz: “Meus prezados...”.

 

Mas, a partir do nascimento de Jesus essa palavra ganhou importância, porque Deus escolheu ÁGAPE para falar do seu amor por nós.

 

E ela se tornou a palavra principal do Novo Testamento, usada, por exemplo, em Jo 3.16: “Porque Deus amou o mundo tanto, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna”.

 

E é precisamente essa palavra ÁGAPE, que é usada aqui em 1Co 13, que é conhecido como o grande capítulo do amor.

Então, na língua portuguesa você não percebe, mas se consultar o Novo Testamento na língua grega, você vai ver que está escrito lá ÁGAPE para a palavra traduzida amor.

 

Por que Deus escolheu AGAPE para ser a palavra principal do Novo Testamento?

 

Alguém sugeriu que Deus olhou para EROS e viu que ela só tinha a ver com paixão. Depois Ele olhou para STORGE e viu que ela fala mais do amor de família. Olhou para FILIA e achou que essa palavra só tem a ver com amigos, amor de amizade.

 

Mas o amor de Deus ultrapassa todos esses significados...

Então, Deus decidiu usar AGAPE, uma palavra comum de tudo, mas que ganhou um grande significado com a vinda de Jesus... porque AGAPE fala de amor sobrenatural, amor sacrifical... próprio de Deus e que independe da condição do ser amado.

 

Isto é, não importa se é feio ou bonito, doente ou sadio, se chuta a bola pra fora ou se faz gol... o amor de Deus por nós é incondicional, é ÁGAPE! ...dê um aplauso à Ele.

 

Esse amor ÁGAPE pode ser chamado de amor tipo “Chuva-sobre-todos-justos-e-injustos”.

Porque quando Deus faz chover, Ele não separa as pessoas boas de um lado e faz chover somente sobre elas. Não, Deus deixa a Sua chuva cair sobre os maus também!

 

E sabe o que Jesus ensinou que a gente deve fazer? Lemos em Mt  19.19: “amarás o teu próximo como a ti mesmo”.  Esse “amarás” é amor ÁGAPE! Eu devo amar os outros com o tipo de amor que Deus me ama.

 

E não importa a condição dos outros: se são pobres ou ricos, bons ou maus, amigos ou inimigos... Inclusive o Senhor Jesus até disse (Mt 5.44): Amai aos vossos inimigos”  - e a palavra usava foi ÁGAPE... Jesus disse (abrasileirando de novo): “agapai aos vossos inimigos”.  

 

Um exemplo clássico desse tipo de amor está na história do Bom Samaritano (Lc 10.29-37).

Quando o samaritano olhou para o homem ferido e caído na estrada (porque tinha sido atacado por bandidos), o samaritano olhou pra ele... não houve atração física (Eros).

 

Também, o homem caído no chão não era parente do samaritano nem nada, não era nem conhecido... logo não havia o amor STORGE, o amor de família entre eles.

 

O homem ferido no chão também não era amigo, não era do mesmo time do samaritano... logo, não também havia o amor FILIA. Mas mesmo assim o samaritano parou e ajudou aquele homem!

 

O que foi que moveu o coração dele? Foi o ÁGAPE, o amor de Deus.

 

Irmãos, este amor que vem de Deus é para ser praticado por cada um de nós!

Porque esse amor ÁGAPE é a base...  quem quer viver bem, tem que ter ÁGAPE, e 1Co 13 mostra que esse amor é assim...

 

Paciente

Lemos no v.4 que: “Quem ama é paciente”, isto é: a pessoa que ama com amor ÁGAPE custa a ficar zangada, irritada...

Ela não levanta a voz, não grita, não esbraveja, não perde a calma!

 

Bondoso

V.4: “Quem ama [com ágape] é... bondoso”.

Isso significa: ela tem consideração pelos outros... faz elogio em vez de só criticar... é gentil!

 

Não é ciumento

V.4 lemos: “Quem ama não é ciumento”.

Quer dizer: a pessoa que amar com amor ÁGAPE não arde em ciúmes...  se o outro é promovido, ela não tem inveja... se o outro tem mais capacidade ou é mais atraente, quem ama com ÁGAPE não fica enciumado!

 

Não é orgulhoso

O v.4 diz isso: “nem orgulhoso”. 

Quem ama com amor ÁGAPE, não é cheio de si, não é convencido...  

 

Não é vaidoso

O v.4 termina declarando isso. O amor ágape não é vaidoso.

Quem tem esse amor não procura ser o centro das atenções... não se gaba das suas habilidades nem dos seus feitos... não se ostenta!

 

Não é grosseiro

V.5 diz: “Quem ama não é grosseiro”.

Não é cínico, não chateia os outros... quem ama com ÁGAPE não tem péssimas maneiras: não é grosso no trânsito, nem na mesa do café, na fila do caixa, na conversa com os outros...

 

Não é egoísta

O v.5 fala disto.

Ou seja, quem ama com ÁGAPE não busca os seus próprios interesses... não fica achando que o mundo deve girar em torno de si mesmo, nem da sua vontade.

 

Não é irritadiço

É a sequência do v.5: “não fica irritado”.

Quer dizer: amando com ÁGAPE a pessoa não é melindrosa, supersensível, que se ofende à toa...

 

Não é rancoroso

V.5 fala de mágoas... é o que não falta na vida da gente.

Mas quem ama com ÁGAPE, não guarda rancor, não faz listas de ofensas, não se vinga... antes, tem capacidade pra liberar perdão!

 

Não é festeiro com a injustiça

Porque no v.6 diz: “Quem ama não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada”.

Quem ama com ÁGAPE não se alegra, escondidinho, fazendo festa com o erro dos outros.

 

Quem ama com amor ÁGAPE não se alegra com fofoca, com notícias ruins... não tem prazer nestes programas de televisão no horário da tarde, onde as pessoas aparecem pra lavar roupa suja...

 

É festeiro com a verdade

A outra parte do v.6 diz: “mas se alegra quando alguém faz o que é certo”.

Quer dizer, se outra pessoa fez a coisa certa e recebeu elogio, ela comemora!

 

12 . Tudo suporta

V.8: “Quem ama nunca desiste, porém suporta tudo...”.

Quem ama com amor ÁGAPE protege a pessoa amada, isto é, não a expõe... se o amado tem um defeito, ela suporta e dá cobertura, dá apoio...  não tem prazer em mostrar os defeitos.   

Tudo crê

Está escrito que suporta tudo com fé.

Quem ama com ÁGAPE não fica pensando mal do outro... não fica fazendo suspeita. 

 

Tudo espera

Lemos no v.8... esse amor faz a pessoa esperar com fé... a bênção pode demorar, mas ela espera porque sabe que no fim tudo dará certo.

 

Conclusão

Pois bem, todas as formas de amor são importantes: EROS, FILIA, STORGE, mas a Bíblia revela: pra viver bem, você precisa de ÁGAPE, precisa do amor de Deus.

ÁGAPE é a base da nossa relação com Deus... ÁGAPE é a base de um casamento duradouro... ÁGAPE é a base de uma vida feliz e abençoada.

 

Mas, devo lhe dizer: só há um modo de adquirir esse amor: é que ele seja derramado em nosso coração pelo Espírito Santo (Rm 5.5).

 

E isso você tem que querer, pois implica num esvaziamento primeiro... você terá que se esvaziar de toda impaciência, ciúme, orgulho, vaidade, grosseria, egoísmo... e você quer?

 

Pr Walter Pacheco da Silveira, 21.6.2009