Meus Sermões

O BEZERRO GORDO I
Lucas 15.22-32

 

INTRODUÇÃO

Quero começar hoje uma série de mensagens baseada na Parábola do Filho Pródigo. Deverá ser uma série de 20 pregações... por baixo... no mínimo!

Só sobre o “bezerro gordo”, que quero falar hoje, serão três sermões! Mas, prometo não causar tédio a nenhum de vocês...

 

Mesmo quando chegar aquele tempo em que se dirá: “hummm, pastor Walter só sabe pregar sobre o Filho Pródigo”... se ele já pregou em outros textos, não vem ao caso, “ele só sabe pregar sobre o Filho Pródigo”. Olhe, mesmo quando chegar esse tempo, prometo que você vai gostar. A revelação de Deus nesta parábola é inesgotável.

 

Você já deve ter ouvido pelo menos um sermão na vida sobre a parábola do Filho Pródigo, talvez, a maioria de vocês... quem sabe, muitos aqui, até já tenham falado sobre essa parábola para alguém...

Porém, quantos de vocês já perceberam que essa parábola tem um elemento interessante que por três vezes é mencionado, e que por isso, tem muita importância na história que Jesus contou.

 

Eu nunca tinha observado esse elemento... entre tantos detalhes que Jesus colocou nessa história, tem um detalhe importante, enfatizado por Jesus, mas que quase não é percebido.

 

Eu quero dizer que Jesus contou essa parábola com riqueza de detalhes e cada detalhe está cheio de significado.

 

Então, deixe-me, primeiro, definir para você o que é esse nome “parábola”.

Na matemática, parábola, é um assunto da geometria... é a curva plana, cujos pontos são eqüidistantes de um ponto fixo e de uma reta fixa ou curva resultante de uma seção feita num cone por um plano paralelo à geratriz... simples assim!

 

Mas chama-se também de parábola a história alegórica que contém algum preceito moral... como é o caso aqui.

 

A parábola serve para ilustrar e aplicar verdades à nossa vida. Jesus, muitas vezes, fez uso o recurso de histórias, de parábolas, para ensinar os Seus discípulos.

 

Então, eu quero estudar esta parábola com você, e começo falando sobre o bezerro gordo.

Ah! eu estou usando a versão da Bíblia na Linguagem de Hoje... tem uma versão antiga que fala “novilho cevado” ou “bezerro cevado”... essa é a linguagem de “antonte” – nem na roça hoje se usa falar mais em bezerro cevado, se fala em novilho confinado, em bezerro gordo.

 

Pois bem, observe, no v.23[2], que quando o pai recebe o filho em casa, com o coração muito alegre, esse pai fala para os seus empregados: "Também tragam e matem o bezerro gordo. Vamos começar a festejar...”. Aquele pai estava dizendo: “façam isso, façam aquilo... e façam mais uma coisa: corram e matem o bezerro gordo!"

 

Depois, lemos no v.26, vem o filho mais velho voltando pra casa... quando vem chegando ouve o barulho da festa e pergunta ao empregado: "O que está acontecendo?”

Ao que o empregado responde no v.27[3]: “O seu irmão voltou pra casa, vivo, com saúde e seu pai mandou matar o bezerro gordo".

 

Em seguida, vem o pai para fora e insiste com o filho para entrar na casa, mas ele não quer participar da festa e, muito zangado, esse filho mais velho diz para o seu pai, lemos no v.30[4]: “Faz tantos anos que trabalho como um escravo para o senhor e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mesmo assim o senhor nunca me deu nem ao menos um cabrito para eu fazer uma festa com os meus amigos. Porém esse seu filho desperdiçou tudo o que era do senhor, gastando dinheiro com prostitutas. E agora ele volta, e o senhor manda matar o bezerro gordo!”

 

Esse rapaz estava dizendo: “Pai, eu não vou entrar. Eu estou muito bravo com o senhor. Este seu filho desperdiçou todo o seu dinheiro e agora ele volta pra casa e o senhor manda matar o bezerro gordo!“ ...isso deve ter sido dito com um beicinho!

 

Mas, você percebeu?

Três vezes o bezerro gordo foi motivo de consideração: no v.23, no v.27 e no v.30!

 

Sabe, Jesus não colocaria este elemento na história e o mencionaria três vezes se ele não tivesse um significado importante.

 

Creio que você já percebeu uma coisa: que o bezerro gordo foi a maneira que Jesus encontrou para ilustrar a tremenda alegria que há no coração de Deus ao receber um filho que volta pra casa.

 

O bezerro gordo, nessa história, é o símbolo da alegria do coração de Deus.

 

Então, Deus mandou fazer, na linguagem bem gaúcha, uma baita “churrascada"[5]... olha aí, ...para comemorar aquele que estava vindo para casa!

 

Amados, vamos estudar isso... vamos estudar as atitudes e as reações dos personagens desta história e o que tudo isso que se passa tem a ver conosco.

 

...a primeira consideração que quero fazer é a seguinte[6]:

O BEZERRO GORDO ERA GUARDADO PARA UM MOMENTO MUITO ESPECIAL

Voltemos nossos olhos para aquela fazenda onde estava o pai e o filho mais velho... e, nesta hora, chega o filho mais moço, que estava ausente de casa, fazia muito tempo.

Vamos comparar essa grande fazenda com o povo de Deus - a igreja...

 

Vamos pensar na igreja como o fazendão de Deus onde todos nós estamos: somos, por assim dizer, os chamados irmãos mais velhos – porque já estamos dentro de casa, estamos na companhia do Pai (e que sejamos bons irmãos mais velhos! Amém?).

 

Porque o irmão mais velho dessa história não era muito legal, ele não era muito bom.

Às vezes, eu me vejo com as atitudes desse irmão mais velho e preciso me cuidar... talvez, você se pegue também assim muitas vezes. Eu vou pregar sobre o “irmão mais velho” mais adiante.

 

Pois bem, o filho que volta para casa, na história que Jesus contou, é aquele que se afastou da igreja, é aquele que ainda está fora do caminho de Deus, é aquele que um dia se perdeu, que foi gastar a sua vida, que foi desperdiçar a sua vida...

Você pode até dizer: “Mas miserável, que ingrato... nós estamos aqui todos os domingos para o culto, oramos, jejuamos, entregamos o dízimo... e ele foi gastar a vida? ...então, que quebre a cara!”, mas, amado, esse é aquele que Jesus quer trazer de volta para dentro da sua casa. Oh! Aleluia!

 

Então, lição nº 1: Jesus diz que o bezerro gordo é para este momento da volta.

O bezerro gordo é guardado para a volta daqueles que se arrependem... o bezerro gordo é para o momento da chegada do filho em casa... é guardado para este momento especial de arrependimento, arrependimento de pecados cometidos, arrependimento da vida distante de Deus, mas que agora sente o desejo de estar de volta na intimidade do Pai, na presença do Pai... de volta à Igreja e ao convívio da família de Deus!

 

Então pense nisso: como o pai dessa história, Deus tem guardado um bezerro gordo para um momento muito especial.

 

Agora, para quem Jesus estava contando esta história?

Não era para os filhos ausentes de casa, os afastados... Jesus não estava contando essa história para os filhos perdidos, não!

 

Essa história, Jesus estava contando para os irmãos mais velhos... Ele estava contando para a igreja... lá estavam os fariseus, os religiosos, os sacerdotes, os líderes...

 

Sabe, é como se Jesus reunisse os líderes de células e aqueles que ministram o discipulado, pegasse essa turma toda reunida, e contasse para eles a parábola do Filho Pródigo.

 

E nessa parábola, Jesus está dizendo o seguinte: "Para mim religiosidade não tem nenhum valor, vocês podem ser muito bons em fazer cultos, podem ser muito bons em fazer reuniões, podem ser muito bons em demonstrar arrependimento, em guardar as leis, os mandamentos, em cumprir as regras, mas eu não quero religiosidade... eu quero é pessoas que tenham intimidade comigo, compromisso comigo... Eu quero crentes que sejam discípulos obedientes, pessoas que estejam comigo".

 

Começo a ver Jesus dizendo: "Preciso que vocês mostrem, através de suas vidas, que vocês estão amando os perdidos, que vocês estão preocupados com os filhos afastados de casa".

 

Igreja: Jesus precisa que sintamos amor por aquele filho que está ausente[7]...

Ele não quer que fiquemos fazendo encontros ou nos confraternizando em demonstração de um amor falso – porque o verdadeiro amor é bondoso, não fica alegre quando alguém faz uma coisa errada... o verdadeiro amor nunca desiste...

 

Mas muitas vezes achamos que Deus está impressionado conosco... porque adoramos, dançamos, temos nosso jejum... e pensamos: Deus está ocupado com a nossa adoração...

 

Não é verdade... Deus está ocupado em procurar adoradores[8], Ele não está ocupado em receber adoração... Deus está interessado no filho que está perdido... o próprio Cristo veio para buscar e salvar o filho perdido... nós não podemos ficar sem essa visão!

 

Porque é para esse momento o bezerro gordo...

O bezerro gordo, na palavra de Jesus, me ensina que ele é guardado para o momento especial do arrependimento, não do falso arrependimento, mas do arrependimento daquele filho que estava distante e que se arrependeu de verdade.

 

Porque arrependimento não é você bater a mão na testa e dizer: "Ai! Estou arrependido". Não! Arrependimento não é você vir para os cultos da igreja no domingo pela manhã ou a noite e cantar, e orar, e ouvir a pregação... arrependimento não é você pegar a Bíblia pra ler ou separar um tempo pra ficar fazendo oração... não, arrependimento é você dar meia volta, é mudar de lugar, é mudar de pensamento.

 

Arrependimento é sair da situação em que se encontra e voltar para a casa do Pai[9].

 

É isso que Jesus está dizendo.

Foi o que Ele disse sobre o filho que era rebelde, que abandonou a casa, que desperdiçou tudo, que gastou a vida, mas que um dia se arrependeu e voltou... E Jesus disse: “É pra esse que Eu faço churrasco! É pra esse Eu mato o bezerro gordo!”

 

É interessante observar que os fariseus, para quem Jesus falava, eram pessoas que sabiam demonstrar arrependimento.

 

Os fariseus tinham até um ritual: sete dias de jejum... alguns, inclusive, quando jejuavam não lavavam o rosto, ficavam com os olhos sujos, remelados, só pra dizer que estavam jejuando! Faziam aquela cara triste... se você passasse perto de um fariseu e perguntasse assim: "Tá doente?"  ele responderia: "Não! Eu tô jejuando!"

 

A Bíblia diz que Jesus repreendeu todos eles por isto... Porque o fariseu fazia questão de dizer que estava jejuando, porque era uma pessoa "santa, religiosa” e coisa e tal... outros tinham o hábito de jogar cinzas para cima, cinzas sobre a cabeça, cinzas em si mesmos - ficavam pálidos, só pra dizer que estavam arrependidos.

 

E nessa hora, na parábola do Filho Pródigo, Jesus olha pra eles e diz: "não é isso que eu quero de vocês; esse arrependimento não me interessa, Eu faço festa é com o verdadeiro arrependimento!"

 

Amados, Jesus não se impressiona nas vezes em que jejuamos, adoramos, dançamos, caímos na unção... Jesus não se impressiona com nossos gritos, com nossos pulos – Ele faz festa é com o verdadeiro arrependimento.

 

E eis a segunda lição: o bezerro gordo é para a festa da salvação[10].

É para um momento especial na vida de cada um de nós... é para o dia em que voltamos para casa (quando nascemos espiritualmente, estamos voltando para casa).

 

Quando chegamos para Deus e dizemos: "Senhor, estou arrependido dos meus pecados, arrependido do meu afastamento da Sua presença, arrependido de haver abandonado o Senhor e os Seus mandamentos... e reconheço que preciso do Seu perdão, e de fato peço: me perdoa”, nessa hora nós estamos voltando para casa, estamos recebendo a salvação.

 

Sabe, no momento em que tomamos essa decisão, Deus manda fazer festa para cada um de nós.

E fique sabendo, no freezer de Deus[11] tem bastante picanha de bezerro gordo, pra fazer churrasco... amém?!

 

Eu quero dizer pra você: Deus está preparado para fazer festa para todos aqueles que queiram voltar para casa, voltar para a Sua presença... Deus está pronto para celebrar esse momento especial do arrependimento... Ele quer dar a festa da salvação!

 

Por isso o bezerro gordo[12]... ele é o símbolo da alegria da salvação no coração de Deus.

O bezerro gordo... foi esse elemento que mais chamou a atenção do irmão mais velho.

 

A melhor roupa que o pai deu para o filho rebelde, não chamou a atenção do filho mais velho... o anel que o pai colocou no dedo daquele moço, não chamou a atenção do filho mais velho... as sandálias novas nos pés daquele irmão, também não chamaram a atenção do filho mais velho... os gastos que o pai teve para contratar a banda de música, porque a festa era animada, também não chamaram a atenção do filho mais velho!

 

O irmão mais velho não viu nada disso... ele não prestou atenção nessas coisas.

Mas a Bíblia diz, que quando o filho mais velho vinha do campo, ele ouviu o barulho da música e das danças, e mostra o que foi que chateou aquele irmão mais velho: foi que o pai matou o bezerro gordo, porque o bezerro gordo era guardado para um momento muito especial.

 

Mas o momento especial para aquele pai havia chegado: o filho que se afastou, voltou[13]... caiu em si e se arrependeu... aquele era o momento do arrependimento, o momento da salvação do filho... que estava morto, mas viveu de novo... que estava perdido, mas foi achado!

 

Então houve tanta alegria no coração daquele pai, que ele disse[14]: “matem o bezerro gordo... (...)Vamos festejar com um baita churrasco”! [15]

 

Conclusão

Quero terminar agora, dizendo pra você que Deus faz festa todas as vezes quando há verdadeiro arrependimento.

Mas o arrependimento não é motivo de festa somente para Deus, pode ser motivo de festa pra você também!

 

Por que? ...porque quando você está arrependido dos seus pecados, arrependido de ter deixado o caminho de Deus, Deus transforma o seu choro, o seu pranto, as suas circunstâncias em fonte de alegria.

 

Essa é uma promessa de Deus... está escrito na Bíblia (Jr 31.13)[16] que “as moças, os moços e os velhos vão dançar e se alegrar”, porque Deus mesmo diz[17]: “Eu os animarei e mudarei o seu choro em alegria e a sua tristeza em prazer”. Aleluia!

 

Agora veja esse Salmo 30 (v.11)[18]: o salmista escreveu esse testemunho: “Tu mudaste o meu pranto em dança, a minha veste de lamento em veste de alegria”.

 

Mas como foi que ele conseguiu isso?

Foi mediante o arrependimento... numa parte do Salmo 30, ele confessou o seu pecado; ele escreveu no v.6[19]: “...dizia eu na minha prosperidade: jamais serei abalado”. Orgulho puro e Deus é contra os orgulhosos... mas ele se arrependeu e pediu a Deus, lemos no v.10[20]: “tem compaixão de mim” .

Aí então, sabe o que aconteceu? ...ele deu esse testemunho[21]: “Tu mudaste o meu choro em dança alegre, afastaste de mim a tristeza e me cercaste de alegria”.

 

Você quer experimentar isso?

Quer ter seu lamento transformado em dança alegre? ...então, se arrependa do seu pecado... você volta para Deus e Deus dá uma festa pra você. Amém?

 

Pr Walter Pacheco da Silveira, 24.8.2008 – Fonte: “Festa na Casa de Deus”, Pr Isaias Querino