Meus Sermões

A ORDEM É FUGIR

1 Timóteo 6.11

 

“Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso. Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros”. 1Tm 6.12 NTLH

 

“E você, Timóteo, fuja das paixões da mocidade e procure viver uma vida correta, com fé, amor e paz, junto com os que com um coração puro pedem a ajuda do Senhor”. 2 Tm 2.22

 

Introdução

Tenha sua Bíblia na mão e levante-a lá no alto comigo… você pode trazer Bíblia, viu!

Agora, diga assim: “A Palavra de Deus é lâmpada para os meus passos; é luz para o meu caminho. Eu vou obedecer e serei feliz”. Amém.

 

Neste verso da Bíblia está escrito: “Mas você, homem de Deus, fuja de tudo isso…”. A NVI traduziu o verso nas mesmas palavras: “…homem de Deus, fuja de tudo isso...”.

Mas, fugir é conselho que se dê, ainda mais para um homem de Deus?

 

Fugir é conselho que se dê a um jovem, porque Timóteo, a quem o apóstolo Paulo dirigiu essas palavras, devia ter entre 30 e 32 anos de idade, um moço, portanto.

 

E sabemos como são os jovens!

Jovens não costumam pensar em fuga... para jovens, fugir é covardia... fugir é assumir o medo... é declarar fraqueza.

 

Mas, irmãos, será o crente uma pessoa medrosa, apavorada, que foge sempre, que foge de tudo, inclusive da própria sombra? Não, claro que não!

 

Então, ouça: quando a Bíblia fala de um crente fugindo... de que um crente que se pôs em fuga... de um crente que fugiu, ou na nossa gíria: que vazou... você pode estar certo: tal crente está apenas revelando quão inteligente ele é.

 

Há situações, irmãos, que fugindo, o crente revela sabedoria, porque está empregando a fuga como técnica, como tática.

Então, não é uma fuga medrosa, mas corajosa... não é fuga precipitada, mas serena, tranqüila... essa fuga não é de desordem, mas disciplina. É o que chamaríamos melhor de retirada.

 

A retirada faz parte da ciência militar. É uma manobra feita pela tropa afim de se afastar do inimigo. Essa retirada é estratégica... ela tem o propósito de evitar que as próprias forças sejam destruídas ou aprisionadas pelo inimigo, ou então, ela é feita para atrair o inimigo a um local mais propício para o combate.

 

Essa retirada é uma operação complexa que exige disposição e coragem.

 

Há muitas retiradas que se tornaram famosas na História.

No Brasil, por exemplo, temos a Retirada da Laguna... está lá no livro de História, usado na escola!

 

Em 1864, Forças do Exército Paraguaio invadiram a Província do Mato Grosso. Então, em resposta, nosso exército decidiu invadir o território paraguaio, onde chegou até Laguna, um lugar distante das linhas brasileiras. Ali nosso exército se viu sem recursos para o sustento da tropa, que já estava afetada pela doença e pela fome, então, foi forçada a fazer retirada. De um efetivo de 3.000 homens, retornaram apenas 700. Porém, poucos anos depois, a Província foi retomada.

 

A retirada é uma operação de guerra, e é estratégica.

Assim, irmãos, é a fuga do homem de Deus, a fuga do cristão: uma retirada estratégica.

 

Mas, é fuga de quê ou de quem? ...da tentação, ...do pecado.

 

Um fato curioso nesse texto, é que o apóstolo Paulo disse ao jovem Timóteo para que fugisse...

Mas Paulo, não estava pensando em fuga dos pecados torpes, grosseiros, fedorentos... mas em pecados que muitas vezes nos parecem irrelevantes, de pouca importância... pecados bobinhos.

 

Se você perceber o contexto, o apóstolo Paulo fala de amor ao dinheiro. Mas o amor ao dinheiro é pecado? ...é e bem grave, embora não pareça tão trágico.

 

Mas é tão grave que Paulo declara em outro lugar, em 6.10, “Pois o amor ao dinheiro é uma fonte de todos os tipos de males”.

 

Quer dizer, do pecado a gente deve fugir.

 

Agora, no segundo texto, 2 Tm 2.22, lemos isto: “E você, Timóteo, fuja das paixões da mocidade...”.

É uma advertência que o apóstolo Paulo faz, e essa advertência é a propósito dos desejos da mocidade.

 

Esses desejos podem ser a leviandade, isto é, a falta de seriedade nas coisas, a falta de seriedade na vida... a arrogância, o descontrole, a preguiça... e não apenas a sensualidade, o erotismo, o vício e outros esbanjamentos da carne.

 

O caruncho é pequeno, mas pode colocar abaixo toda uma estrutura de madeira.

 

Irmãos, o diabo é maios perigoso como um anjo de luz do que como um lobo mal... por isso, o melhor que temos a fazer é fugir do pecado, seja grande ou pequeno, em termos de conseqüências e não de tamanho, porque pecado é pecado.

 

O melhor que temos a fazer é fugir do pecado!

Nessa palavra do apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, devemos aprender que com o pecado não se brinca.

 

Pergunte a um jovem drogado como que foi adquirido esse vício... pergunte à uma mãe solteira, como foi adquirido o seu sentimento de culpa... e a resposta deles, se forem honestos, será: brincando.

 

A tentação é como cobra venenosa, quanto mais longe de você, melhor... mimar a tentação é a mesma coisa como acariciar a cabeça de uma cascavel

 

Depois, não há pecado que possa ser cometido sem que deixe vestígios ao menor contato.

O pecado é como o carvão que, embora não queime as mãos, sempre as deixarão sujas.

 

Eis porque é melhor fugir... fugir como José fugiu da mulher de Potifar.

 

A Bíblia diz: “Homem de Deus, fuja”.

É difícil fugir... a tentação sempre vem atrás de nós... ela sempre vem ao nosso encalço.

 

Você pode correr daqui da cidade até a roça mais distante, que até lá a tentação se fará presente... é como um parasita hospedado em nosso corpo.

 

Então, duas medidas precisamos tomar:

Primeiro, é preciso cobrir a retaguarda com a proteção de Deus.

 

É o que em linguagem militar se chama uma retirada em ordem de batalha: Quando um exército inicia a retirada, uma parte da tropa é empregada na retaguarda para fazer face ao inimigo, retardando a sua marcha.

 

Um crente não poderá vencer a tentação se não confiar na proteção de Deus.

 

A segundo medida necessária é fazer um tratamento alopático e não homeopático.

O princípio da homeopatia é o seguinte: os semelhantes curam-se com os semelhantes. O principio da alopatia é: os contrários curam-se com os contrários.

 

Por isso Paulo acrescentou em 1Tm 6.12... ele disse para fugir do pecado e acrescentou: "...Viva uma vida correta, de dedicação a Deus, de fé, de amor, de perseverança e de respeito pelos outros”.

 

O pecado não tem antídoto, porque antídoto é veneno curando veneno, e pecado não cura pecado, como lama não lava lama.

 

Assim, não se vence uma tentação com outra tentação.

Mas a tentação se vence correndo para o lado oposto, saltando para a outra margem, fugindo da incredulidade para a fé, do ódio para o amor, da vingança para o perdão, do mal para o bem, da treva para a luz...

 

Para que fugindo de um inferno não venhamos a cair em outro pior.

 

Hoje Deus diz para você fazer retirada... fuja!

“Não peque mais, para que não aconteça com você uma coisa ainda pior” (Jo 5.14).

 

Pr Walter Pacheco da Silveira, 27.04.2008 – Fonte: Mensagem em audio de Pr Rubens Lopes