Meus Sermões

AMOR E MISERICÓRDIA

Lucas 15.1-24

 

INTRODUÇÃO

Neste capítulo encontramos três das parábolas usadas por Jesus.

Um dos grandes benefícios em estudar as parábolas contadas por Jesus é que elas põe fundo o dedo em nossas feridas, exatamente como fizeram com os primeiros que as ouviram.

 

Como recebemos as pessoas que procuram participar das celebrações aqui na Central? Nós temos tido discriminação? ...procuramos somente as de boa aparência, boa profissão ou de bom tipo de vida?

 

Todo tipo de gente tem sido realmente bem-vinda entre nós?

 

Ou nos perguntamos: mas tem gente que é de má fama! ...não corremos o risco dos nossos filhos serem influenciados? ...não seria melhor que um certo tipo de gente mudasse de vida primeiro antes de virem para o nosso meio, antes de virem para nossa célula?

 

Olhe, foi para pessoas que faziam essas perguntas que Jesus contou estas três parábolas.

Nós precisamos ouvir o que Jesus ensinou nestas parábolas a respeito de Deus, a respeito do ser humano, e a respeito de nosso modo de receber os perdidos.

 

...primeiro, temos aqui:

1. UM RETRATO DE DEUS

Nestas parábolas nós aprendemos sobre a iniciativa de Deus em buscar o que está perdido.

Deus é o pastor que procura a ovelha perdida e essa ovelha perdida somos nós, lemos em Is 53.6: “Todos nós éramos como ovelhas que se haviam perdido; cada um de nós seguia o seu próprio caminho. Mas o Senhor castigou o seu servo; fez com que ele sofresse o castigo que nós merecíamos”.

 

Aí está: a nossa condição humana é de perdição, mas a condição de Deus é a de tomar iniciativa da nossa salvação.

 

No v.3, Jesus até enfatizou: “Se algum de vocês tem cem ovelhas e perde uma, por acaso não vai procurá-la?” ...não vai tomar a iniciativa de buscá-la de volta?

 

Mas ouça: Jesus está falando do que nós faríamos em favor de ovelhas, não de pessoas.

Por uma ovelha perdida, por um animal que vazou pela cerca, nos apressaríamos em procurá-la.

 

Agora, quando nós nos perdemos em meio às coisas erradas e pecados, ninguém se apressou em procurar por nós, porque na verdade, nem deu tempo, pois Deus foi rápido... Ele fez isso em nosso favor...

 

Lemos em João 10.11 que o Filho, Jesus Cristo, foi enviado... veio buscar e salvar o perdido (Lc 19.10).

 

Portanto, sem essa iniciativa de Deus, não teríamos chance... seríamos deixados na condição de perdidos, de perdidos para sempre.

 

Por isso, graças a Deus pela Sua iniciativa! Amém?

 

Também nestas parábolas, aprendemos sobre o poder transformador de Deus .

Essas três parábolas apresentam um impressionante retrato de Deus: Deus está buscando, encontrando e fazendo festa!

 

No v.6 está escrito: “Alegrem-se comigo porque achei a minha ovelha perdida” e no v.7 lemos “assim também vai haver mais alegria no céu”. Deus é festivo!

No v.9, outra parábola, lemos: “Alegrem-se comigo porque achei a minha moeda perdida.” E no v.10 lemos isto: “assim também os anjos de Deus se alegrarão”.

 

E na parábola do filho perdido, lemos no v.23, que o pai disse: “Vamos começar a festejar” e depois, no v.32, explicou pro outro filho: “...era preciso fazer esta festa para mostrar a nossa alegria. Pois este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado.”

 

Eu não tenho dúvida, Deus gosta de barulho de festa!

 

Mas por que Deus se preocupou com o perdido? Por que quis buscar e salvar o perdido?

Você acha que foi pelo valor do ser humano? ...o nosso ego nos faz pensar que sim... que somos de muito valor, que somos importantes, que Deus depende de nós e precisa de nós... então, que por esse motivo, Deus mesmo se apressou em achar-nos.

 

Mas reparou esta parábola da mulher que procurava uma moeda? ...qual o valor da moeda que estava perdida? ...era de pequeno valor!

 

Porém, a mulher procurou por sua pequena moeda, entretanto, procurou mais pelo valor que ela dava à moeda do que pela quantia que a moeda representava.

 

Amados, a Bíblia ensina que nós não temos nada de valor para merecer ou comprar a Salvação de Deus.

O profeta Isaías (64.6), declarou: “Todos nós nos tornamos impuros, todas as nossas boas ações são como trapos sujos”. Trapos sujos valem quanto?

 

Mas a Bíblia também ensina que Deus nos atribuiu valor.

 

Uma das verdades a nosso respeito é que Deus nos fez à Sua imagem e semelhança (Gn 1.26, 27; ICo 11.7; Tg3.9).

 

É verdade que o pecado arranhou bastante essa imagem, mas não apagou... hoje, cada pessoa traz ainda a imagem de Deus. Qualquer pessoa!

 

E Deus, que nos fez, sabe disso e sabe como vamos ficar depois de sermos transformados!

Lemos em Ef 4.13: “...nós chegaremos a ser um na nossa fé e no nosso conhecimento do Filho de Deus. E assim seremos pessoas maduras e alcançaremos a altura espiritual de Cristo”.

 

Em 2Co 3.18, Paulo escreveu: “...todos nós, com o rosto descoberto, refletimos a glória que vem do Senhor. Essa glória vai ficando cada vez mais brilhante e vai nos tornando cada vez mais parecidos com o Senhor”.

 

Daí tanta alegria no coração de Deus!

Nós fomos criados à imagem dEle e agora, o próprio Espírito de Deus, o Espírito Santo habita em nós... então, temos mais valor ainda!

 

Mas esse valor não é próprio, é atribuído... é a transformação que Deus produz em nós que nos dá valor.

 

Lemos em 1Pd 2.9: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.

 

Amados irmãos, somos pequenas moedas, mas Deus nos tem agora na conta de especial tesouro... Aleluia!!!

 

Nestas parábolas, aprendemos também sobre o amor de Deus.

A parábola do filho pródigo ou perdido, devia ser chamada de parábola do pai amoroso.

Essa parábola tem três personagens principais:

Primeiro, o filho rebelde e ingrato que se afasta do pai, como todos os pecadores que estão afastados de Deus.

 

Segundo, o filho mais velho, arrogante, irritado com a festa de comemoração do retorno do irmão. Igualzinho os fariseus... igualzinho a nós, também.

 

Terceiro, o pai, lidando com o filho esbanjador e com o filho “certinho”, mas, amando-os por igual.

 

O pai, nessa história, amava seus filhos com sabedoria, sem ser possessivo.

O filho mais novo era amado, tanto que ao retornar mais tarde, sem um tostão e aos farrapos, o pai já o aguardava.

 

Aliás, o pai o avistou primeiro e lemos no v.20 várias manifestações de carinho que teve, porque o pai correu, abraçou e beijou o filho... ele era amado.

 

Mas o filho mais velho também era amado.

Quando se revoltou e foi falar com o pai, referindo-se ao irmão como esse teu filho, lemos que o pai, amorosamente, o corrigiu de forma delicada, dizendo pra ele (v.32): “...este seu irmão estava morto e viveu de novo; estava perdido e foi achado”.

 

Conclusão

Com estas três parábolas, Jesus bateu duro na mentalidade religiosa das pessoas que conheceu.

Muitos estavam se achando bons demais, santos demais para se misturarem com os outros.

 

E essa atitude é uma afronta a Jesus: Ele veio buscar e salvar o perdido.

 

Pois bem, como temos visto os perdidos?

Temos usado de amor e misericórdia para com eles, ou temos dito: “Não, são impuros demais para se misturarem conosco!”?

 

Que tal orarmos a Deus para que seja removido todo preconceito e possamos comer com os pecadores?

 

 

Pr Walter Pacheco