Meus Sermões

ENTRE A VITÓRIA E O VEXAME
Josué 6.20, 27; 7.4-5

 

Introdução
Alguns domingos atrás, celebramos pela manhã, o que Deus tem feito e quer fazer conosco, numa medida extraordinária.
Assistimos à multiplicação de uma célula e a quantidade formidável de pessoas fazendo a sua decisão por Jesus. Vocês se lembram?

A multiplicação da célula representa uma grande conquista... ver novas pessoas chegando para a igreja e tomando sua decisão por Jesus, também é outra grande vitória!

Agora, pode até não parecer, mas a linha divisória entre uma grande vitória e um grande fracasso é muito fina... essa linha é tecida através de pequenos detalhes.
Vemos isto muito claramente nesse livro de Josué, quando o povo de Israel estava sendo conduzido por ele até à terra prometida, Canaã.

Um mesmo povo, sob a liderança de um mesmo homem e servindo ao mesmo Deus, passou, num curto espaço de tempo, por duas experiências absolutamente opostas: a vitória de Jericó e o vexame de Ai.

Por isso, o tema de minha reflexão hoje: Entre a vitória e o vexame.

O que lemos no v.1 (Js 6.1), mostra que Jericó era uma das cidades mais protegidas da época.
A cidade de Jericó possuía uma muralha à sua volta, uma muralha tão alta e larga, que dava para as pessoas morarem em cima dessa muralha... como era o caso de Raabe, que morava numa casa construída na muralha da cidade (Js 2.15).
Pois bem, os muros desta grande cidade, tombaram ao som do shofar e do grito, à uma voz, dos israelitas. Foi uma conquista espetacular, algo sobrenatural, fazendo com que os povos da região, tremessem pelo poder de Deus.

Lemos isto no v.20: "Quando soaram as trombetas o povo gritou. Ao som das trombetas e do forte grito, o muro caiu. Cada um atacou do lugar onde estava, e tomaram a cidade" ...conquistaram a cidade, ou como mostra o v.21, "consagraram a cidade ao Senhor". Que vitória!

Agora, havia um próximo desafio à frente, lemos em Js 7.2: o próximo desafio seria a conquista de Ai.
Então, Josué enviou homens para espionar essa cidade.

O v.3 mostra que os homens voltaram e apresentaram o relatório para Josué. Eles disseram: "Não é preciso que todos avancem contra Ai. Envie uns dois ou três mil homens para ataca-la. Não canse todo o exército, pois eles são poucos".

Os homens que espionaram aquela terra, diziam: "Josué, o desafio agora é pequeno... é fichinha. A cidade é pequena... uns dois ou três mil soldados são suficientes para conquista-la!". 

Então, aos olhos humanos, a pequena cidade de Ai (que significa "Ruína") não representava problema.
Josué ouviu o conselho dos seus espiões, que não se cansasse todo o povo na batalha, porque uns dois ou três mil homens seria mais que suficiente... 

Mas grande engano... O v.4 registra que foram enviados cerca de três mil homens, mas também registra que esses três mil foram postos em fuga pelo povo de Ai... no v.5, lemos que dos três mil, 36 não voltaram, porque foram mortos... e os que não foram, foram todos perseguidos e feridos durante a fuga. 

Que vexame!
Os que foram, voltaram em fuga... vergonhosamente, viraram as costas ao inimigo, dando no pé, sendo que 36 deles foram mortos... 

Mas o que impressiona é que este vexame ocorre logo depois de uma grande vitória, logo depois da conquista de Jericó... que coisa: logo após a grande conquista, um terrível fracasso... logo depois da vitória, o vexame!
O que aconteceu? Por que o quadro mudou tão radicalmente? Que fatores determinaram a vitória do povo de Deus, num momento, e a derrota no outro?

Quando olhamos para os movimentos que envolveram esses dois episódios, notamos que houve pequenos detalhes que produziram resultados diferentes... 
E esses pequenos detalhes podem nos ensinar muito sobre como permanecer em conquista naquilo que estamos investindo hoje.

Houve fatores que nortearam o povo de Deus diante do desafio de Jericó, mas que faltaram diante do desafio de Ai.

...o primeiro fator é esse:
SEJA DEPENDENTE DE DEUS E EXPRESSE ISTO PELA BUSCA EM ORAÇÃO
O primeiro fator é dependência de Deus que se expressa pela busca em oração.
Veja Js 5.14: Antes de Jericó, encontramos Josué orando... Josué está tendo experiências com Deus... Josué está recebendo estratégias sobrenaturais... no v.15, vemos Josué tirando as sandálias dos pés pela santidade de seus momentos devocionais. 

Agora, diante da cidade de Ai (no cap 7), não há oração, apenas ação... Não encontramos, nem Josué nem sua equipe, buscando ao Senhor. 

Nos v.2 e 3, apenas os encontramos fazendo contas, analisando a situação numa perspectiva absolutamente natural, absolutamente humana, e assim agem. 

Então, podemos constatar que lá em Jericó, o resultado foi tremendo, um milagre de Deus, algo sobrenatural aconteceu... mas, agora em Ai, o que aconteceu foi um tremendo vexame... Boris Casoy diria "foi uma vergonha!"
Fica para nós a primeira lição: se queremos grandes conquistas em Deus, precisamos depender de Deus e manifestar essa dependência através da busca em oração, caso contrário, até os desafios mais fáceis de se vencer (naturalmente falando) poderão se transformar num vexame.

...o segundo fator:
RECEBA UMA ESTRATÉGIA DE DEUS
Diante do desafio de conquistar Jericó, Josué contava com uma estratégia, mas diante do desafio para tomar a cidade de Ai, não havia estratégia.
Se você ler os capítulos 6 e 7 de Josué, verá isso claramente. No cap 6, do v.2 ao 5, Deus entrega para Josué uma estratégia na mão, um plano de ação... é uma estratégia louca aos olhos humanos, é verdade - porque Deus mandou rodear a cidade por sete dias, em silêncio, e no sétimo dia, rodeá-la sete vezes. Então os sacerdotes tocariam as trombetas e todo o povo gritaria - mas essa era a estratégia de Deus! ...e se é de Deus, irmão, por mais esquisito e estranho que seja, é abençoado!

Portanto, Josué contava com um processo pré-determinado de ação... era seguir a estratégia de Deus e comemorar a vitória... partir para o abraço!

Agora, no cap 7, já para tomar a cidade de Ai, Josué não teve estratégia alguma. 
No v.2, Josué simplesmente chamou três mil homens e lhes disse: "Tomem a cidade!" Josué só esqueceu de dizer pra eles "como"... Então o resultado foi catastrófico. 

Isso deve nos levar a entender que, sempre que quisermos obter grandes resultados, primeiro devemos ter um planejamento de como chegar lá (e de preferência, um planejamento nascido no coração de Deus, por mais estranho que seja). Amém.

...o terceiro fator:
MANTENHA UM PADRÃO DE FIDELIDADE
Para um povo conquistador em nome de Deus, santidade não pode ser uma opção, não pode ser um aparato ocasional, mas uma condição. 
Lemos aqui em Js 7.20, que foi por causa do pecado de um homem chamado Acã, que escondeu coisas condenadas em sua tenda, que toda a nação de Israel amargou uma grande derrota. 

Isso deve nos levar a uma profunda reflexão sobre nossa disposição de viver uma vida santa diante do Senhor e de sermos vigia por nós mesmos e, pelo nosso irmão, já que o pecado dele pode trazer prejuízo para nós também.

Então, nestes dias, quando buscamos avançar para novos níveis de conquista, é absolutamente necessário que cuidemos do padrão de fidelidade e que, inclusive, alcancemos novos patamares, para que o respaldo de Deus esteja conosco.

...e há um último fator:
PRESERVE A UNIDADE DO SEU POVO
O último fator determinante entre o fracasso e o sucesso, entre o vexame e a vitória, foi a unidade do povo de Deus.
Em Jericó, todo o povo obedeceu e participou do desafio de conquistar aquela cidade. 
Mas em Ai (Js 7.2), "apenas três mil" tentaram fazer o que deveria ser responsabilidade de todos. 

Irmãos, assim é no crescimento da igreja também. 
Quando queremos a multiplicação de um grupo pequeno, a multiplicação de uma célula, precisamos do envolvimento total de cada um em cada batalha. 

Ou nos movemos nesse desafio como um só homem, ou vamos enfrentar baixas inesperadas.

Conclusão
Dizem que o inteligente aprende com os seus próprios erros e o sábio aprende com os erros dos outros.
Eis aqui, diante de nós, a maravilhosa oportunidade de aprender e avançar, numa marcha de conquista, até vermos toda a cidade consagrada ao Senhor... 

Mas não se esqueça: os detalhes definem o resultado!
Precisamos que você dependa de Deus e expresse isto pela busca em oração; 
Precisamos que você caminhe na estratégia de Deus;
Precisamos que você mantenha um padrão de fidelidade;
Precisamos que você preserve a unidade da igreja.

Pr Walter Pacheco da Silveira, 02.03.2005