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Saudade

 

Rogo a Deus, que teus anos encurtou. Que tão cedo de cá me leve a ver-te. Quão cedo de meus olhos te levou. - Luís de Camões, em www.reflita.brs.com.br/deamor.html

 

Todas as crianças haviam saído na fotografia e a professora estava tentando persuadi-los a comprar uma cópia da foto do grupo. - "Imaginem que bonito será quando vocês forem grandes e todos digam 'ali está Catarina, é advogada, ' ou também 'Este é o Miguel. Agora é médico". Ouviu-se uma vozinha vinda do fundo da sala: -"E ali está a professora. Já morreu."

 

Numa pesquisa realizada há tempos por um jornal da cidade sobre quais seriam as palavras mais lindas da língua portuguesa, obtiveram os três primeiros lugares: saudade, ternura e amor. Isso diz muita coisa a respeito do caráter brasileiro normal: sentimental e afetivo. Bom terreno para a pregação do Evangelho.

 

A bicharada estava em polvorosa. Caçadores dizimavam indiscriminadamente os animais da floresta. O coelho, reunindo sua numerosa família, sugeriu uma fuga. Ao anoitecer, saíram todos das tocas, andando a noite inteira sem saber aonde chegariam. Só de manhãzinha é que foram dar num velho roçado, onde se alojaram. Os primeiros dias representaram tempos penosos, mas pouco a pouco a família foi se habituando e conseguindo os meios necessários à sobrevivência. Sentiam saudade do convívio na floresta, mas entendiam que ali onde se encontravam, havia segurança e paz. A vida sofreu grande transformação, porque teve de ser moldada de acordo com os hábitos do novo habitat; porém, depois de algum tempo fizeram-se amigos da vizinhança e já se sentiam novamente em casa. Tudo ia bem, até o dia em que o filho mais velho comunicou que voltaria ao convívio da floresta. Os pais usaram de todos os argumentos possíveis para dissuadi-lo da idéia, mas foi em vão. Ele dizia que não permaneceria lá por muito tempo; só desejava matar as saudades! E, se despedindo, partiu. Chegando lá, foi jeitosamente se infiltrando no seu antigo meio, até que se viu de novo enturmado entre os remanescentes do seu povo. Ficou. Ali ele constituiu família e se acomodou às delícias que a vida lhe pôde oferecer novamente. Estava então seriamente envolvido e comprometido com o ambiente. Um dia, entretanto, o cenário mudou. Os caçadores voltaram! E como sói acontecer com qualquer inimigo, eles também chegaram de surpresa, sem permitir espaço para a fuga. Todos entraram em pânico. E assim, em meio ao desespero, foi que aquele coelho começou a sentir em seus ouvidos o eco das advertências paternas. Parecia-lhe ouví-los falando agora mais uma vez sobre a segurança e a paz que podiam sentir ali, ainda que privados do conforto e das facilidades desfrutadas no ambiente da floresta. Mas era tarde demais. Tentou ainda retroceder, levando outros consigo, porém, caíram todos nas malhas dos caçadores... Triste destino! Tentando gozar de uma vida que julgava cômoda, pereceu irremediavelmente sem que houvesse alguém para salvá-lo!

 

Guilherme Golgate é o nome de um dos homens ricos do mundo, e fabricante de produtos que leva o seu nome. Com 16 anos de idade, Colgate saiu de casa porque faltava o pão para a família. Na estrada, encontrou-se com um velho conhecido que de joelhos, orou com ele e disse: “Alguém será brevemente o principal fabricante de sabão de Nova Iorque. Espero que você seja homem prudente. Dê seu coração a Cristo. Entregue-lhe da cada dólar que receber, a parte que Lhe pertence; faça um sabão honesto; no peso, dê uma libra inteira, e sei que você se tornará rico”. E o jovem entrou na grande cidade de Nova Iorque levando consigo tudo o que possuía embrulhado numa toalha... Foi com grande dificuldade que Guilherme Colgate encontrou emprego. Com saudade de sua casa e lembrando sempre das palavras de sua mãe, como daquelas que ouvira do velho senhor, aconselhando-o a buscar o Reino de Deus, uniu-se à uma igreja. Do primeiro dinheiro que recebeu deu a décima parte, o dízimo, ao Senhor. Passado alguns anos nesse emprego, veio a tornar-se sócio do patrão. Depois, morrendo o patrão, Colgate ficou como único dono da fábrica de sabão. Imediatamente procurou avaliar quanto valia o dízimo da fábrica que havia ganho. Guilherme prosperou nos negócios, se enriqueceu como jamais pensara... Mas nunca deixou de ser fiel ao Senhor nos dízimos.

 
Certo domingo, o pastor convidou uma irmã para testemunhar à frente da congregação sobre como ela havia resolvido participar ainda mais do ministério da visitação da igreja. A irmã então, contou que ficara doente e precisou se ausentar das reuniões da igreja. Sentiu a saudade dos irmãos e a vontade de receber a visita de algum deles, mas, ninguém procurou visitá-la ou mesmo perguntar por ela. Aí, nessa dor sentida lá dentro, é que resolveu: "Se eu visitava meus irmãos, agora é que vou visitar ainda mais, pois sei a importância que é".
 
Certo pai cristão, zeloso e temente a deus, lutava para que seu filho se convertesse. De tanto ouvir os conselhos e as orações do pai, o moço sentiu-se incomodado e resolveu sair de casa. A despedida no portão foi triste. O pai com lágrimas nos olhos abençoou o rapaz e o viu partir sem dizer para onde. Ali mesmo no portão, ainda soluçando, ajoelhou-se e orou: "Oh! Deus, salva o meu filho!" Essa luta só ia terminar na hora da morte. Desde que seu filho partiu, aquele pai orava várias vezes ao dia, a mesma oração: "Oh! Deus! Salva o meu filho". Depois de vários meses, sumido em uma cidade distante, sem dar notícias; aquele filho foi tomado por uma grande saudade. Sentiu saudades de casa e do velho pai. Na véspera do Natal estava inquieto e deprimido. Pela primeira vez, depois de muitos anos, desejou participar de um culto. À noite, saiu à procura de uma igreja e lhe informaram sobre um pequeno vilarejo onde funcionava uma pequenina congregação. Em lá chegando, entrou, assistiu, atenta e reverentemente, a programação. Após a mensagem, atendeu ao apelo e entregou sua vida a Jesus. No outro dia, logo cedo, foi à Agência dos Correios e passou o seguinte telegrama para o velho pai: "Pai, ontem, dia 24 de dezembro, véspera de Natal, às nove da noite, aceitei Cristo como Salvador. Agora sou um crente. Breve irei vê-lo". No rodapé mandou o seu endereço. Quando o telegrama chegou, a velha esposa e mãe que também orava pela salvação do filho, leu a gloriosa notícia e correu para o quarto. De joelhos sobre o telegrama, rendeu mil graças a Deus. Depois de agradecer a grande bênção, foi ao correio e mandou a seguinte resposta para o filho: "Querido filho, no dia 24, véspera do Natal, exatamente às nove da noite, seu pai morreu. Às últimas palavras que ele disse foram as seguintes: "Oh! Deus! Salva o meu filho!" (Joaze Gonzaga de Paula, em O Jornal Batista, pg 4b - 29/04/ a 05/05/2002).