POR QUE ORAR?

1 Samuel 1.1-28

 

Introdução

Convido você a localizar na Bíblia comigo, o texto de 1 Samuel, capítulo um.

O texto é bastante interessante para o dia de hoje, porque fala de uma mãe.

E eu tomo este texto para falar sobre uma grande necessidade: a necessidade da oração.

Com toda a certeza, você veio aqui nesta noite, noite de culto a Deus, de adoração a Deus, porque você entende que a sua casa, a sua família, a sua vida, precisa da benção de Deus.

Você veio nesta noite, porque você crê que Deus responde a oração. Parabéns! É isto mesmo: Deus escolheu agir, escolheu fazer coisas por meio das orações do Seu povo, por isso Deus responde as orações. Aleluia!

E é fundamental entender isso. A oração é um dos princípios que deve mover a nossa igreja.

A oração é a maior força que atua na terra. Orar nos liga ao trono de Deus. Orar liga a terra ao céu. Orar une a fraqueza do ser humano com o poder de Deus.

Tudo quanto Deus pode fazer, pode ser conseguido pela oração. Orar é mover o braço de Deus, o braço dAquele que governa o universo.

Que verdade mais bendita! Deus é livre para agir, mas Ele escolheu agir por meio da oração. Por isso que precisamos orar. A oração move o braço poderoso de Deus.

E você sabe, não há coisas impossíveis para Deus. Ele pode tudo! Por isso que podemos orar por grandes causas, por grandes sonhos, por grandes milagres. Deus pode fazer tudo! Aleluia!

Então, aqui está a história de uma mulher de nome Ana e a experiência de oração que ela teve.

Uma verdade que aprendemos neste texto é sobre a necessidade da oração.  Confira comigo!

Ana está enfrentando muitos obstáculos na sua vida e na sua família. Mas, os obstáculos, longe de apagar o ânimo desta mulher em buscar a Deus, é combustível pra ela orar mais.

 

Ana precisava fazer oração por causa do seguinte: primeiro, os valores espirituais estavam em ruínas, estavam sendo abandonados.

Ana viveu num período da história de Israel em que a nação era governada por líderes conhecidos como juízes. A Bíblia tem um livro com esse nome e conta sobre eles.

Então, antes de existerem os reis em Israel, os líderes eram chamados de juízes, foi um período que durou 350 anos aproximadamente, três séculos inteiros! Mas, foi um período de decadência: decadência espiritual, política, moral e familiar.

É nesse contexto de crise em toda a nação, que Ana vive. Portanto, na época dela, a religião estava desacreditada, a família desvalorizada... não parece diferente dos nossos dias.

Pois, em meio a essa crise, Ana é levantada por Deus para orar e ela ora por um filho que ainda não tinha, mas que, esperançosa, haveria de nascer.

Isto nos mostra o seguinte: a crise que abala a família, que perturba a família, não deve ser motivo para nos deixar sem ação. Ao contrário, deve nos animar a buscar a Deus. A crise deve nos fazer buscar a Deus mais ainda. A crise deve nos levar a buscar a Deus em oração por bênção para a nossa casa.

 

Segundo, Ana precisava orar porque os valores familiares estavam por um fio. Por pouco mesmo que a família não era completamente desvalorizada.

O v.2 diz que Elcana tinha duas mulheres. Esse era o marido de Ana.

Olha, um homem ter mais de uma mulher, isso vai contra os princípios de Deus. Na segunda página da Bíblia (Gn 2.24), já tá lá a revelação da vontade de Deus sobre isso, Deus falou: “Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne” (NVI). Jesus repetiu isso num ensinamento que fez para uma multidão (Mc 10.8) e acrescentou: “o que Deus uniu, ninguém o separe”.

Portanto, é da vontade de Deus que o homem deixe a casa de seu pai e sua mãe e se una à sua mulher. E Deus não disse “se una às suas mulheres”, mas disse “à sua mulher”.

E consta nos Dez Mandamentos. Tem um lá que diz: “não cobiçarás a mulher do teu próximo” (Ex 20.10). É o décimo mandamento!

Mas a poligamia estava presente em muitas culturas daquela época e ainda está nos dias de hoje. A revista Super Interessante, aponta que em 20 países do mundo, na sua maioria nações africanas e de religião mulçumana, a poligamia é aceita. Poligamia é a união conjugal de uma pessoa com várias pessoas.

Mas, sabe, a lei de Deus não muda. Presta atenção: O fato desse homem, Elcana, ter duas esposas, não significa que Deus aprova a poligamia, os casamentos de uma pessoa com vários maridos ou várias esposas. Isso é contra a lei de Deus!

Então, embora Elcana fosse um homem que buscava a Deus, que frequentava a casa de Deus, que adorava a Deus, a casa dele vive uma desordem. A casa dele está dividida. A casa dele está fora da vontade de Deus.

E quando a família está em crise, está sofrendo, está passando por um mau momento, mais do que nunca, é necessário buscar a presença e a bênção de Deus em oração.

Ana estava fazendo isso. O v.10 mostra que Ana orou a Deus. A família não estava bem, ela sentia amargura de alma, ela chorava angustiada, mas, foi fazer oração.

O terceiro motivo porque Ana precisava fazer oração, foi a doença que ela sofria.

Veja que o v.2 diz que Penina tinha filhos e Ana não tinha. Penina é a outra, a outra mulher de Elcana.

Se você olhar no v.5, vai ver que o Senhor deixou Ana estéril. No v.6 também está escrito que o Senhor tinha deixado Ana estéril. Uma versão antiga do verso diz assim “o Selhor lhe tinha cerrado a madre” (ACF).

Isso mostra que Deus é Deus. Deus faz tudo com um propósito. Quando Deus provê que a mulher seja mãe, Ele tem um propósito. Quando Deus não provê a maternidade para uma mulher, Ele tem propósito!

Mas, na falta desse conhecimento, quantos que, homens e mulheres, se revoltam contra Deus?

Pra evitar isso, deveriam conhecer o propósito de Deus, porque Deus não faz nada e nem permite acontecer nada sem que tenha um propósito.

Agora, sem esse entendimento, acontece o que acontecia na época de Ana. O povo acreditava que ser estéril era uma questão muito séria, tão séria que era motivo de divórcio.

Ser estéril, na época de Ana, isso era visto como uma espécie de castigo de Deus sobre a mulher e sobre a família. Acreditava-se que a esterilidade era castigo de Deus. Dá pra gente imaginar como Ana se sentia diante do julgamento dos outros.

Irmão, é nesse contexto de dor e de tristeza, que essa mulher chamada Ana, vivia. E é nesse contexto que ela entende que precisava buscar a Deus em oração.

Outro motivo por que Ana precisava orar, era por causa da rivalidade de Penina.

Veja que o v.6 diz isso: “a sua rival a provocava excessivamente para a irritar”.

Nesse verso aí, qual a palavra que te chama mais a atenção? É a palavra “provocava”? É a palavra “irritar”? Ou é a palavra “excessivamente”? Pois, essa palavra “excessivamente”, é a palavra mais forte desse verso.

Você sabe o que é isso? Você já foi provocado excessivamente por alguém? Não é irritado, não. É provocado excessivamente, exageradamente, propositalmente, injustamente.

Penina provocava Ana excessivamente. Quer dizer, Ana estava na dela, passando por todas as dificuldades, mas tava na dela, e Penina vinha e dava uma pisada. Voltava e cutucava. Voltava e humilhava. Ela fazia isso direto.

Ana, então, sofria a dor da esterilidade, mas tinha também essa, a dor da rivalidade.

E olha o problema da poligamia: A Bíblia mostra que Elcana vai consolar Ana, mas a Bíblia não diz que Elcana chama vai corrigir a Penina. É que ele está de coração dividido. Elcana tem força pra consolar, mas não tem autoridade pra corrigir. Coração dividido.

É nessa casa que Ana vive. É nesse ambiente de provocação, de rivalidade, de irritação, que Ana vive.

E preste atenção a um detalhe: quando é que a Penina provocava Ana excessivamente, era quando? O v.7 mostra: era quando Ana subia para a casa de Deus, o Senhor.

Ana era provocada especialmente por Penina, quando ela se preparava para ir à casa de Deus.

Imagina isso: você tá se arrumando pr’o culto da igreja e alguém te irrita. Você tá com o seu coração disposto em buscar a Deus, mas na hora de você sair, alguém te irrita, te provoca, te humilha, te tira do sério.

A Bíblia não conta o que Penina falava pra Ana, mas devia ser mais ou menos o seguinte: “Ana, você vai pra igreja mais do que eu, você tem fé mais do que eu, você ora mais do que eu, e olha aí, você tá doente e eu não tô! Você é estéril e eu não! Você não tem filhos, e eu tenho”.

Penina tirava sarro, caçoava. Ela devia dizer: “Olha, se orar funcionasse, você não estaria assim, não!” Ana vivia nessa situação.

Por que Ana precisava orar? Por causa da falta de senso de Elcana, o seu marido.

Olha o v.8 e veja o que Elcana diz para a esposa: “Ana, por que você está chorando? Por que não come? Por que está triste? Será que eu não sou melhor para você do que dez filhos?”.

Olha o que Elcana diz! Ele quer consolar a esposa, mas dá uma alfinetada nela ao dizer “eu não sou melhor para você do que dez filhos?”

Ora, cada coisa no seu lugar: marido é marido, filho é filho. Marido não substitui filho! Mas, Elcana tá dizendo: “Ana, desista de ser mãe, você é estéril, esqueceu? E, olha, eu sou melhor do que dez filhos, aproveita o maridão que você tem”!

É muita falta de senso, não é? É falta de humildade também. A esposa já tá sofrendo, tá amargurada, e em vez de se sentir melhor, se sente pior, porque Elcana é insensível, só pensa nele. Ana tinha mesmo é que orar!

Agora, tem uma última razão por que Ana precisava orar e é a seguinte: o mau testemunho dos líderes religiosos da época.

O v.3 diz que quando Elcana ia adorar, ia prestar culto ao Senhor, sabe quem pregava? Hofni e Finéias, filhos de Eli, eles é que eram os sacerdotes.

E sabe o que todo mundo falava deles? “Eles não são de Deus, não!” E com razão. Sobre eles a própria Bíblia conta o seguinte, 2.12: “Os filhos do sacerdote Eli não prestavam e não se importavam com Deus, o Senhor” (NTLH).

Que coisa! Ana estava orando e os líderes da igreja estavam na boca do povo.  

E mais, além do falso testemunho de Hofni e Finéias, o próprio Eli fez uma acusação falsa contra Ana.

Olha só o v.13: Eli notou que Ana mexia com a boca, mas não falava nada. Ela estava orando. Mas, Eli julgou logo: “Essa mulher tá embriagada”. E foi chamar a atenção de Ana. A cahamada está no v.14: “Até quando você continuará embriagada? Abandone o vinho; põe esse copo pra lá!” (NVI).

Pensa bem: Ana tinha todos os motivos para ficar desesperada: em casa, vivia provocada excessivamente por Penina; o marido era sem noção; quando Ana foi para a casa de Deus, buscando um refrigério, uma palavra de encorajamento, o pastor veio com a acusação de que ela estava embriagada. Já imaginou isso?

Conclusão

Irmão, a conclusão que quero que você chegue, é a seguinte: que as circunstâncias difíceis da vida devem nos levar a fazer oração.

Aliás, os momentos mais difíceis da vida, são os mais oportunos para a oração. Não é verdade que nós oramos mais por causa dos problemas do que por causa das bênçãos?

É sim! Quando tá tudo bom, a gente esquece de orar. Tá tudo bem, a gente tira férias de Deus. Mas, quando a coisa aperta, aí somos levados a orar.

Como toda pessoa normal neste mundo, Você já tem dito as suas dificuldades na vida. Talvez não tanto como as de Ana, mas você tem tido as suas dificuldades.

E você tem feito oração? Você tem buscado a casa de Deus? Você tem orado?

Ou vai esperar que as coisas apertem mais?

 

Pr Walter Pacheco